[resenha] A LINGUAGEM DAS FLORES - VANESSA DIFFENBAUGH

Título: A linguagem das flores
Autora: Vanessa Diffenbaugh
Editora: Arqueiro
Páginas: 282
Onde comprar: Bertrand, Wook

Sinopse: "Victoria Jones sempre foi uma menina arredia, temperamental e carrancuda. Por causa de sua personalidade difícil, passou a vida sendo jogada de um abrigo para outro, de uma família para outra, até ser considerada inapta para adoção.Ainda criança, se apaixonou pelas flores e por suas mensagens secretas. Quem lhe ensinou tudo sobre o assunto foi Elizabeth, uma de suas mães adotivas, a única que a menina amou e cm que quis ficar... até pôr tudo a perder.Agora, aos 18 anos e emancipada, ela não tem para onde ir nem com quem contar. Sozinha, passa as noites numa praça pública, onde cultiva um pequeno jardim particular.Quando uma florista local lhe dá um emprego e descobre seu talento, a vida de Victoria parece prestes a entrar nos eixos. Mas então ela descobre um misterioso vendedor do mercado de flores e esse encontro a obriga a enfrentar os fantasmas que a assombram.Em seu livro de estreia, Vanessa Diffenbaugh cria uma heroína intensa e inesquecível. Misturando passado e presente num intricado quebra-cabeça, A linguagem das flores é essencialmente uma história de amor - entre mãe e filha, entre homem e mulher e, sobretudo, de amor-próprio."


Preciso começar dizendo que as grandes protagonistas do livro são as flores e seu significados. Tudo que acontece na vida de Victoria tem uma ligação com as flores, tanto que o livro é dividido em quatro partes: Cardo (misantropia), Um coração inexperiente, Musgo (amor materno) e Recomeços.

Victoria é uma jovem difícil com um passado doloroso. Apesar do livro começar quando a jovem completa 18 anos e é emancipada, a narrativa varia entre passado e presente. Essa divisão é muito importante para explicar um pouco da força que o passado ainda exerce na vida da jovem e justificar algumas atitudes dela. Além disso, nos mantem presos a leitura para descobrir qual o grande segredo a ser revelado.

Victoria não conheceu seus pais nem seu passado. Sempre esteve entre lares de adoção e casas de famílias que muitas vezes a maltratavam ou simplesmente a ignoravam. A pessoa mais próxima que ela teve foi Meredith, sua assistente social que, por mais que tenha acompanhado a vida dela e procurado sempre fornecer novas oportunidades, nunca lhe deu amor. Aliás, esse sentimento era simplesmente desconhecido por Victoria.

Isso muda em sua última oportunidade de ser adotada. Victoria vai para casa de Elizabeth e, com a certeza que também seria devolvida, não faz questão de ser gentil. No entanto, mais que uma filha, Elizabeth quer uma nova oportunidade e ser devolvida se torna algo cada vez mais impensado. Pela primeira vez Victoria é apresentada ao amor e todos os sentimentos que envolvem amar.

"Como já havia morado num trailer antes, perguntei-me imediatamente se Elizabeth teria um sofá-cama ou se seria obrigada a dividir o quarto com ela. Não gostava de ouvir pessoas respirando."

Além do amor, Elizabeth ensina Victoria sobre a linguagem das flores, uma comunicação surgida na época vitoriana e conhecida por poucos. No entanto, Vitória comete um erro muito sério e acaba se distanciando de Elizabeth e com isso perdendo sua grande oportunidade de ter uma família.

Agora com 18 anos e levada a um lar na qual tem direito a ficar três meses até começar a pagar o aluguel, é obrigada a procurar um emprego, mas não tem estudos ou experiência. Com a liberdade de ter seu espaço, ela cultiva um jardim no quarto. Ao final desse período, passa a dormir em uma praça junto as flores cultivadas por ela até perceber o perigo que pode ser viver nas ruas.

A oportunidade surge com Renata, uma florista local que não faz muitas perguntas. Com esse novo emprego, Victoria muda a vida de clientes com as flores certas e também conhece, ou reconhece, um comerciante do mercado das flores que também não fala muito mas conhece o significado delas, o que acaba aproximando os dois.

Essas novas pessoas na vida de Victoria lhe proporcionam um lar, um amor e até amizades a seu modo. Sua vida muda completamente no decorrer do livro mas nem todas as mudanças são boas ou bem vindas, na visão dela. Para poder aceitar tudo que passa a acontecer em sua vida, Victoria enfrenta primeiro o medo, a vergonha, a frustração, a insegurança e tantos outros sentimentos.

Uma história linda de superação sem se transformar em conto de fadas. Esse livro me abriu os olhos para detalhes do cotidiano que muitas vezes passamos a ignorar, infelizmente. Os problemas não são solucionados de um dia para o outro, muitas vezes levam anos para podermos aceitar decisões erradas que tomamos, apagar ou amenizar marcas que deixamos e principalmente perdoar e ser perdoado. Mas apesar de tudo isso, toda a história do passado e presente consegue se interligar em um futuro possivelmente diferente.

"Meus sentimentos por Grant também pareciam ocultos e comecei a imaginar uma esfera em volta do meu coração, tão dura e lustrosa quanto a casca de avelã, impenetrável."

Outro ponto que me surpreendeu foi quando a vida de Victoria começa a melhorar e ela precisa de ajuda, é entre as jovens do lar que habitou que procura ajuda. Ela conhece a realidade dessas jovens e ao mesmo tempo que encontra uma ajudante, ajuda alguém que realmente quer e precisa.

A única coisa que me incomodou um pouco no livro foi a forma que o romance se inicia, como eles se reconhecem, sendo que haviam se visto uma única vez e rapidamente, muitos anos antes. No entanto, diante da intensidade de tudo que se passa no decorrer da história, isso se torna quase insignificante.

Ah, preciso também deixar claro uma coisa. A escrita da Vanessa nesse livro é tão espetacular e envolvente que eu me via diversas vezes curiosa sobre as flores citadas, querendo ver, saber seu significado e até mesmo desejando recebe-las ou dar para alguém. Isso de alguém que nunca gostou das flores, a beleza delas me agradam mas nunca me encantaram, até agora. Com certeza nunca mais vou conseguir ver uma flor como uma simples flor.

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